
O gari Moisés posa ao lado da estátua que representa sua profissão
Texto e imagens: Amanda Aron (amanda.aron@gmail.com)
“O trabalho dignifica o homem”, a célebre frase cunhada por Max Weber, pensador alemão do século 20, parece fazer mais sentido em São Paulo. A cidade é referência internacional aos que buscam emprego e melhores salários.
No dia em que São Paulo comemorou seus 457 anos (25 de janeiro último), a capital foi palco de uma justa homenagem àqueles que, essencialmente, também fazem dela a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo: os trabalhadores da limpeza e manutenção urbana.
Eles foram presenteados com quatro estátuas de bronze na praça do metrô Marechal Deodoro (zona oeste). O artista plástico Murilo Sá Toledo, que esculpiu as obras, se orgulha: “É um prazer homenagear quem tem tanto valor e é pouco reconhecido pela sociedade.”
As obras foram baseadas em figuras populares presentes no dia a dia do paulistano, como a estátua da faxineira torcendo um pano (foto ao lado). “Ela é bela, mas judiada pela vida”, explica Murilo. O gari, que faz do caminho por onde todos passam um ambiente mais agradável e limpo, a copeira, popularmente conhecida como “a tia do café”, e o jardineiro, que embeleza artisticamente os jardins da cidade, também foram homenageados.
Para Wagner Antonelli, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseios e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco-SP), a responsável pela obra, o projeto é um marco para o País. “É o primeiro monumento a homenagear essa classe de trabalhadores, e é muito importante, porque eles fazem parte da nossa cultura.”
Moisés Francisco Nogueira, gari da prefeitura, varre diariamente as ruas daquela região, e se emocionou ao ver as estátuas: “A gente trabalha tanto e ninguém enxerga o que fazemos, não olham para a gente e muitos até desfazem dos garis, o que muitas vezes nos deixa constrangidos. Essa homenagem me deixou muito contente”, afirma ele enquanto admira as estátuas.
Murilo revela buscar inspiração divina para as suas obras. “Eu peço sabedoria a Deus”, confessa. E, talvez, seja esse o motivo por que as estátuas pareçam tão reais. A intenção da homenagem é tornar essas pessoas visíveis e reconhecidas pela sociedade, que é beneficiada diretamente com o serviço delas. E lembrar a população de que todo trabalho é igualmente digno de respeito.
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